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Confederação brasileira proíbe atletas trans de competir no vôlei feminino

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou que mudou as regras sobre quem pode participar das competições femininas no Bra...

Confederação brasileira proíbe atletas trans de competir no vôlei feminino
Confederação brasileira proíbe atletas trans de competir no vôlei feminino (Foto: Reprodução)

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou que mudou as regras sobre quem pode participar das competições femininas no Brasil, chamadas de regras de elegibilidade.

Com a nova política, publicada na última sexta-feira (14), a participação na categoria feminina passa a ser restrita a atletas do sexo biológico feminino.

Na prática, a medida impede mulheres trans – homens biológicos – de disputarem as principais competições femininas organizadas pela entidade.

A decisão segue a Política de Proteção da Categoria Feminina adotada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), em março deste ano, além dos critérios da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e da Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV).

A partir da nova regra, a elegibilidade será verificada por meio de testagem e triagem do gene SRY (Sex-determining Region Y), associado ao desenvolvimento sexual masculino.

Para competir na categoria feminina, a atleta deverá apresentar resultado SRY-negativo, ressalvadas condições excepcionais previstas na política.

Com isso, identidade de gênero, sexo registrado em documentos civis ou a realização de tratamentos hormonais não são suficientes para determinar a elegibilidade de uma atleta para as competições femininas abrangidas pela nova política.

Alinhamento internacional

Segundo a CBV, a mudança busca adequar o vôlei brasileiro às regras que passaram a vigorar internacionalmente.

“A decisão da CBV se adequa ao COI e deixa nossos campeonatos equiparados com as competições internacionais”, afirmou o presidente da entidade, Radamés Lattari.

A mudança representa uma alteração significativa na política adotada pela entidade nos últimos anos. Em 2017, a CBV estabeleceu procedimentos específicos para a participação de atletas transgêneros em suas competições, seguindo à época as normas adotadas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

O cenário internacional mudou em setembro de 2025, quando a FIVB aprovou a utilização obrigatória da triagem do gene SRY como elemento inicial de categorização por sexo.

Em março de 2026, o COI revisou sua política e restringiu a categoria feminina, em seus eventos, às atletas consideradas biologicamente do sexo feminino segundo esse critério, com exceções específicas.

De acordo com o documento da CBV, o COI informou que a revisão ocorreu após estudos científicos e análises envolvendo aspectos médicos, éticos, jurídicos e de direitos humanos, além da participação de especialistas de diferentes áreas e continentes.

Teste genético

O presidente do Conselho de Saúde do Voleibol da CBV, João Olyntho, explicou que a entidade seguirá os parâmetros internacionais para a realização dos exames.

“A CBV se alinhou aos posicionamentos do COI e da FIVB quanto a necessidade das jogadoras realizarem o processo de triagem do gene SRY para a elegibilidade da categoria feminina. A coleta de material é feita de forma pouco intrusiva e altamente precisa”, afirmou.

A recusa em realizar a triagem não será considerada uma infração disciplinar. No entanto, sem a comprovação da elegibilidade, a atleta não poderá participar das competições submetidas à nova regra.

A política prevê ainda exceções relacionadas a condições específicas do desenvolvimento sexual, que deverão ser analisadas por avaliação especializada.

A mudança impacta diretamente Tifanny Abreu, primeira atleta trans a atuar na elite do vôlei feminino brasileiro e que atualmente defende o Osasco São Cristóvão Saúde.

Quando a regra passa a valer

Os novos critérios serão aplicados às principais competições organizadas pela CBV.

Entre elas estão a Superliga A e B da temporada 2026/2027, a Supercopa 2026, a Copa Brasil 2027, o Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027, na categoria adulta, e o CBVP Challenger 2027.

Competições estaduais organizadas pelas federações locais não são automaticamente abrangidas pela decisão da CBV.

A entidade informou que a política permanecerá em vigor nas edições seguintes das competições enquanto os novos critérios estiverem vigentes.